quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

CASA DOS PAPÉIS-234: A PICARETA - NUMERO 2

 
 A PICARETA - NUMERO 2 - ANNO I - DOURADO, 4 DE FEVEREIRO DE 1934
Director:CLAUDIO TAVANO-Gerente:JOÃO V. RICARDO-Redactor:ANTONIO D'ANGELO

ECOS DA PICARETA
A PICARETA depois da sua circulação domingo ultimo, escalou um dos seus repórteres para ouvir MISS LA TIGELA, líder da bancada feminina local.
Interrogada sobre o seu apparecimento, gentilmente, ella que nunca se recusou aos homens do jornal, expressou-se da seguinte forma: Há muito que nossa mocidade vinha sentindo a necessidade de um jornal, que combata decididamente o mal que se alastra, tanto assim o é, que tem todo o meu apoio.
Mas parece-me que a sua vida não vai ser longa. Continua ella, qual essas ameaças não tem mínima importância, especialmente nessa campanha gosada.
Com esse programma sem forma e sem plataforma, o único perigo que correa é a salvação de todos os ameaçados.
No próximo numero publicaremos a entrevista concedida por MISS TARTARUGA.
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AVISO
No numero passado, queixaram-se dois nossos leitores e uma leitora, por sahirem suas iniciaes neste jornal.
Pedimos à pararem com esses argumentos, caso contrario, no próximo numero, publicaremos os seus nomes por extenso nesta folha.
Não adiantar zangar. Só fallamos a verdade.
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PELO TELEFONE
Nova Europa - Fomos informados que dentro em breve, teremos uma companhia de operetas, que estreará no próximo mez.
Tomarão parte os seguintes amadores: LINO T, no papel de bohemio; MARIA A. no papel de seriedade; JOSÉ S., no papel de convencido; MONICA A., no papel de não tenho belleza. Dentre elles, se destaca MUSSA para fazer o papel de syrio. Balavra mesmo eu vai mostrá bra bovo do DOURADO gue na Turguia dem rabaiz sabe drabalha na balcon. Balavra, foi faze suzesso para finalizar o espectaculo. Cantarão os tenores sem vóz - E. MARTINS - JOSÉ M. - APPARECIDA S. 
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OUVI DIZER
Que a ZENAIDE B. está passando uma vida cheia de aborrecimento, pela auzencia do ANTONIO NONO: mas paciente-se Senhorita, ele brevemente deixará o manicômio.
Que a APPARECIDA precisa deixar de namorar no escuro, porque está causando inveja aos outros.
Que o GINO G. por não arranjar aqui a moça que elle queria, só de raiva ficou noivo em Bocaina.
Que o SEBASTIÃO M.A. está cançado de pedir o coração da ALICE H., ao que ella sempre diz: Palavra de Deus eu não gosto de você.
DOM DEZESSEIS
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A PASSEIO
Estando em minhas horas vagas, passando no Largo da MATRIZ, calculando mais ou menos 10 para 11 horas da noite; ouvi um som de muito longe, e muito me interessou a saber o que éra; Logo percebi o que éra , a banda Municipal, isso alegrou-me o coração porque já a muitos dias que não ouvia tocar, e minha menina ainda não se tinha retirado, por ser uma noite de calor, e que delicia, que prazer, estar ao lado de quem se ama, ao som de uma bella musica.
O TIGRE
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APANHADOS
A mãe - Dr. Delegado eu vim aqui p'ra vance tomá as providencias, pois eu sou viúva desamparada que só tenho u'a fia poi num ve, que agora fugiu co alejadinho.
O Delegado - Mas sua filha não é mancipada?
A Mãe - nhor? pui eu não sei o que é isso.
O Delegado - Eu pergunto que idade tem ella.
A Mãe - Também num sei mais, vô perguntá pros meus netos.
NHO VINO
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CONCORRENCIA PUBLICA
Estão a venda nas principaes vitrines da cidade a inquietude da ANNA S. e YOLANDA P. (cuidado meninas).
O J.R. acredita na sinceridade da F. cuidado rapaz
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FATOS E BOATOS
Que o J. CEZAR, vulgo RIPINHA, vae no jardim é facto; mas que arranja menina é boato. Tanto peso assim rapaz.
A IRACEMA O. diz vai tomar um "caju" por dia, só para poder conversar com o pharmaceutico - você não sabe que elle é noivo.
<<OLA>>
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DIZEM
que o J.GULA anda apaixonado por ex namorada. Arrasta um pouco seu ZÉ mas assim já é demais.
que o OLINDO está fula por ver o seu nome na "A PICARETA", e está quase pondo advogado. Não sejas tolo.
que a HELENA M. está triste devido o seu nome não sahir neste jornal. As suas ordens mademoiselle.
que o LAURINDO G. desafia qualquer athleta do interior para uma corrida de 5.000 metros. Será verdade.
KREG
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SABEM
que as irmãs MORALLES, depois que regressaram de S. Paulo, estão mais convencidas?
BENEDICTA G. veio a DOURADO arranjar um noivo cheio das pelles.
MASCOTE
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TELEGRAMMA RECEBIDO
Snt. ANNA S.
Restabeleci-me por completo. Não esqueço de ti um só momento. Sigo dia 9 para passar o carnaval comtigo.
Teu sempre.
Juquery, 28 de etc. etc. 
CAPITÃO KIDD
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RESPOSTAS AS PERGUNTAS DO 1º NUMERO
 
Quem será o homem que inventou o Brazil e descobriu a electrecidade?
Foi o convencimento do JOSÉ COLLAGROSSI.
Quem inventou a América e descobriu o telephone?
Foi o, MUSSA, elle veio do Sahára em um camelo até as costas da França, e disse em voz Napoleonica,  de gestos estatuário. "Bensa eu, que ali existe outra terra, dotra lado".
Onde fica o começo do mundo?
Diz o DR. GINO GENNARI ser em São João da Bocaina.
Quem sabe onde está o homem da capa preta?
Poderão saber com o JOÃO PERRONE.
Onde ficam os pedaços das meias quando furam?
Está servindo de lencinho no bolso do NICOLA COLLAGROSSI.
Quem poz fogo na caixa d'agua?
Foi o fogo de amor de APPARECIDA GULLA.
Quem descobriu o remédio para pararem as doenças de fugas de namorados que andam ahi?
Foi o LUIZ MENEGUELLO, que descobriu em Santo Antônio da Figueira.
Quem será o repórter deste jornal?
Hora... Sou eu...
Quem respondeu estas perguntas ganhará uma permanente para quantos dias ou annos quiser ir na cadeia.
Ou passe-o para o LAURINDO GENNARI.
Qual a moça, ou moço, que não pode gastar 1$000 para a assignatura deste jornal?
Ninguem
TIBERIO...
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SEM METRICA
As mocinhas desta terra
ficaram bem jururus
por verem que a Picareta
também vem a Trabiju.
 
Não falta quem se amedontre
Desta collaboração
que é feita não sei que geito
por pequenino Picão.
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LEILÃO
Irão ser arrematados ao bater do martello os seguintes: A pouse da B.FANTINI; o bigodinho do CANTIDIO; o parabrisas do GINO G; a bellesa do ALBERTINO T.;a elegância da M.FATTOR; o orgulho da A.HOMCE.
E para encerrar o leilão será exposto o bibi branco do A.FRAGALLI pelo primeiro lance.
Na semana que vem tem mais.
MASCOTE
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PODE E NÃO PODE
O N.COLLAGROSSI pode ir a S.Paulo, mas deixar o "pouco amor" não pode. Não vá chorar na partida.
A IRACEMA O. frequentar os bailes da elite pode, mas ser orgulhosa não pode.
O XANDINHO gostar da ANNITA G. pode, mas arrastar o prédio Martinelli não pode.
A NOEMIA R. e APPARECIDA S. passear no jardim pode, mas sem bonde não pode.
O DYONISIO T. dançar pode, mas usar bicycleta quando dança não pode.
O LUIZ C. namorar a LOURDES pode, mas gostar da PEIXEIRA não pode.
A ZENAIDE B. dançar pode, mas zombar dos cavalheiros não pode.
O CYRO andar sem chapéu pode, mas passear sem meia não pode. Cuidado o fora mocinho.
A ANNA S. ser convencida pode, mas dizer que nunca sahirá na "PICARETA" não pode. Acautele-se mocinha.
O LUIZ S. FRANCO ir a Bocaina pode, mas só falar numa tal ROSINHA não pode.
O LEONILDO T. gostar da YOLANDA pode, mas fazer despeito por ella não pode.
O JOSÉ COLLAGROSSI decifrar charadas pode, mas jogar na borboleta e no burro não pode.
O LAURINDO G. ser tocador de piano pode, mas occupar duas cadeiras no cinema não pode.
O GINO G. bancar a ALZIRA M, pode, mas ser noivo em Bocaina não pode.
O JOSÉ G.N. deixar da ANNA S. pode, mas si for para bancar a BELLA F. não pode.
HENRIQUE PÉ DE CABRA
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COISINHAS
O J.PERRONE anda fasendo propaganda de sua garota de R.Bonito, deixa de ser convencido rapaz.
LEONARDO C. vive fasendo demonstrações para arranjar u'a noiva. Deixa dessas ideias avançadas rapaz.
IRACEMA O. depois que começou a fazer uso de vestidos compridos, parece arranha - céu.
J. SASSO para fazer pique a sua ex., arranjou u'a garota de fora.
L.TRUZZI depois que arranjou u'a garota de Mattão ficou mais orgulhoso. Deixa de illusão rapaz.
MASCOTE
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LITERÁRIAS
PÉ QUEBRADO
Tenho visto coisa no mundo
que inté causa tortura,
o desarranjo do P.PANZA
que inté foi u'a loucura.
 
As moças quando namoram
Fallão coisas de mais
Ellas dão um geito na língua
Pra mor de tapiá os rapais.
 
Alguma namora um moço
e prá largá é zais trais
namora um ou dois meiz
logo deixa elle em pais.
 
Mais nossa amiguinha ELIZA
essas coisas ella não faiz.
Namorô quatro annos
Prá não ficá feio de mais.
 
Otro casamento custoso
Que inté já puiz de banda
É da sta. MARIA F.
Com Nho O.MIRANDA.
 
Também me obriga falá
Do namoro do NHO F. COSTA
Mais num queria intrometê
Porque as veis elle não gosta.
 
Mas a PICARETA já me fala
Prá num dechá passá
Só por mor ve
Se elles resolvem cazá.
MARRETA
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QUEM FOI QUE
QUE ANDOU DISENDO POR AHI QUE EU NÃO CIRCULAVA HOJE??? HEIN!
-.-.-.-.-.-
ARQUIVO: CASA DOS PAPÉIS
   
 
 
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

CASA DOS PAPÉIS-233: O MARIANO - NUM.13

 
 
O MARIANO - NUM.13 - ANNO I - DOURADO, 21 DE FEVEREIRO DE 1935
 
Mais uma pagina de luto nas curtas
efemérides Marianas de DOURADO
Morreu o congregado mariano, DOMINGOS FAILLA
E com esta morte perdem, a CONGREGAÇÃO MARIANA, o seu 1º Secretario, e a cidade, um rapaz correcto, que gosava de universal sympathia. O enterro foi sincera explosão de condolência que o povo todo tributou à infelicidade do bem estimado moço.
- A DOENÇA -
E'ra 2ª. feira, dia 28 do passado Janeiro. Terminada a reunião mensal da Directoria Mariana, na Sede, o FAILLA deixava o nosso prédio onde jamais voltaria.
Na reunião esteve como sempre optimista e zeloso pela Congregação. Nem uma só palavra nos disse, que fosse revelação da bem certeira doença.
No dia seguinte soube-se na Sede, que o FAILLA estava doente.
Alguns Congregados foram até o domicilio de seus paes com a doble missão de visital-o adquirir noticiais.
Passaram vários dias sem ninguém desse importância ao caso.
Mas chega o Sabbado, dia 2 do corrente, e quando até tínhamos já esquecido do FAILLA - doente, recebemos a noticia de ter sido trasladado para Araraquara afim de ser submettido com urgência, a uma intervenção cirúrgica.
Desde então, a doença do FAILLA constituiu a única preocupação de toda esta casa de irmãos e mesmo da cidade. As alternativas da doença recebiam-se aqui com interesse e todos os corações batiam ao uníssono do perigoso processo.
A noticia de uma ligeira melhora lia-se em todos os rostos e a comentavam todas as línguas. Tanto se queria ao FAILLA!!!
Do dia 5 em diante, seguem uma após a outra as rotações, com amigos, a caminho de Araraquara. Até o nosso Vigario quiz dar essa prova de apreço ao doente Congregado, voltando todos satisfeitos por terem vivido daquella enorme fé, do amigo doente; e ao mesmo tempo entristecidos porque naquelle quarto nº 10 da Santa Casa, iam morrendo, uma a uma, todas as suas esperanças. E'ra assim o estado ruim do querido douradense.
Mais treis dias de forçadas esperanças, e veio o Sabbado 9 ...FAILLA morreu!!!
Como a pedra cahindo nas aguas mansas do lago, vae descrevendo circunferências que galopam; assim aquelle telegramma veio comover toda a cidade.  Dez minutos depois, a noticia chegava ao ultimo canto.
- O TREM ESPECIAL -
Os chefes e empregados da Douradense quizeram render-lhe o merecido tributo de trazer em DOURADO, o cadáver do extincto colléga, para isso organiza-se um trem especial com trez carros.
Amigos, collégas congregados e o povo todo queriam um logar na expedição, para receber o cadáver.
O trem partiu às 16 horas. Após uma hora... devagar, sereno, com uma magestade de homenagem fúnebre, entrava na Estação de Java. Lá estava o rico caixão onde a doença guardou uma força moça vencida à barbara pujança da morte.
- A CHEGADA EM DOURADO -
Chovia...o povo em massa esperava na estação e ruas próximas, a chegada do especial. E'ram débeis os pingos daquella chuva vespertina para segurar nos próprios lares o povo douradense.
Chegou o trem. Silencio profundo...o caixão em mãos amigas vae descendo pelas ruas da cidade até o domicilio dos doridos paes. É a ultima jornada na procura de tão conhecido lar.
- O ENTERRO -
Domingo, dia 10, às 8 1/2, o cadáver do saudoso FAILLA, ia para o seu derradeiro destino. O acto foi simplesmente sublime.
As Congregações da Parochia com distinctivo e estandarte, os chefes e todos os seus collégas de serviço, a Banda Municipal e um povo immenso juntam-se para manifestar os seus pezames no acto do sepélio. Que lindo cortejo se não tivesse como cousa uma pancada da morte.
- NO CEMITÉRIO -
Ainda faltam as postreiras homenagens: A oração da Liturgia Catholica subindo ao céu para encommendar aquelle corpo que vae para a mãe-terra. Após umas palavras sentidas dos Srs. MANOEL J. RELLO DE ARAUJO e DYONISIO TAVANO, este ultimo Congregado Mariano; e no fim...lágrimas...muitas lagrimas cahindo de tantos olhos avermelhados que choravam com a partida do infortunado moço.
Que mais? Depois... p caixão sumindo-se na cova escura, onde o cadáver assistirá, com impassibilidade de esphinge, o galopar dos tempos.
A gente retorna à cidade e sobre aquelle tumulo branco; entre os galhos daquellas arvores verdes, volta posar-se, a paz e solidão do cemitério.
Quão sós ficam os mortos...
- OS VELHOS FAILLA -
DOMINGOS desce à campa fria arrastando o porvir d'um casal de velhos; são os inconsoláveis paes do FAILLA.
Exemplo de bom filho viveu o moço elles para elles.
E'ra elle o seu sustento e apoio de sua velhice; e elle seria a sua alegria nas postreiras tristezas da vida.
E'ra elle, em fim, a vida inteira do lar paterno e a joia ainda engastada na corôa dessa paternidade fecunda; e é por isso que após a pancada bruta da catástrofe sangrenta,  choram hoje sem consolo a egida do DOMINGOS, do caçula, do seu querido DOMINGOS.
Para uns paes estas mortes prematuras têm sempre amarguras tão occultas que ninguém pode apreciar. Só elles! Só elles! Só as suas entranhas de paes que podem medir o fundo da pena e o largo da dôr. Só elles que numa suprema desgraça, soffrem o martyrio horrível de sobreviver aos funeraes do seu próprio coração.
E JUNTO AOS VELHOS
- FAILLA...-
Há outro ser que chora e soffre com quasi a mesma intensidade. É élla... é éllla uma jovem. uma noiva. A noiva do infortunado DOMINGOS.
CARMEN DOS SANTOS, tem sentido o desabamento d'um lar que a sorria já cheio de alegrias e esperanças. E sozinha está vivendo também à desgraça porque ninguém pode juntar-se-á partilhar a sua dôr , que é única, immensa, trágica.
Para élla, todoo nosso respeito, a nossa condolência, os nossos pezames sinceros, assim como, aos enlutados velhos "FAILLA".
- FLORES-
Apresentaram flores, inúmeras senhoritas e distinctas famílias DOURADENSES, cujos nomes deixamos de publicar para evitar possíveis e lamentáveis omissões.
- AGRADECIMENTOS -
A Congregação Mariana de Moços, agradece a todas as pessoas que prestaram homenagens ao seu caro irmão e dedicado Secretario, DOMINGOS FAILLA, com vocação do seu enterro.
Agradece d'uma maneira especial ao Revmo. Vigario, às Congregações, ao Coro da Parochia e a Corporação Musical da cidade.
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CATECISMO
Domingo, às 12,15 e nos demais dias das 6,30 às 7,30 haverá catecismo para as creanças, na Matriz. Interessem-se os paes pela instrução religiosa dos seus filhos e vigiem-os para não faltarem as estas lições que lhes são tão uteis. 
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REUNIÃO MENSAL
Domingo dia 24, às 2 horas da tarde celebrar-se-á a reunião mensal do apostolado da oração na Matriz, suplica-se o comparecimento de todos os Congregados.
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NOTAS SOCIAES
Anniversarios:
Fizeram annos:
Dia 12, a esforçada Directora do Côro Parochial, Srta. GENY FADUL.
Dia 14, a Sra. D. MARIA C. CARDOSO, esposa do Sr. MANOEL CARDOSO.
Dia 17, RUBENS, filho do Sr. JOSÉ GROBA
Dia 18, a Sra. EDITH S. DEL CIEL, esposa do Sr. GAUDENCIO DEL CIEL, Almoxarife da C.D.
No mesmo dia, RUDNEY, filho do Sr. PEDRO NONNO.
 
Fazem annos:
Faz anos hoje a menina CONCEIÇÃO, filha do Sr. EDMUNDO D'ABRUZZO e de BEATRIZ C. D"ABRUZZO.
- A Srta. BRASILINA BERTOSSE.
- Sr. ALBERTO TAVANO, gerente da CASA POPULAR.
- Amanhã, WILSON, filho do Sr. FINISTRO D'ABRUZZO.
Dia 24, o menor SERGIO, filho também do Sr. PEDRO NONNO.
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NASCIMENTO
Dia 5 do corrente, foi enriquecido o lar do Sr. JOSÉ GROBA e exma. esposa, com o nascimento de uma filhinha que na Pia Batismal recebeu o nome de AGUEDA.
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ELEIÇÃO DA GONGREGAÇÃO MARIANA
Realizou-se no dia do corrente, na Matriz local, a eleição para a posse de diversos cargos, que, apurada no mesmo dia, verificou-se o seguinte resultado:
- Para Thesoureiro: Sr. JOÃO PERRONE, 36 votos.
- Para 2º Secretario: Sr. LUIZ DELPHINO, 18 votos.
- Para 1º Conselheiro: Sr. ANTONIO JUSTO, 18 votos.
- Para 2º Conselheiro: Sr. DYONISIO TAVANO, 7 votos
Esperando desses novos Directores os esforços necessários, apresentamos os nossos sinceros parabéns.
 
ARQUIVO: CASA DOS PAPÉIS
 
 


 
 
 
 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

CASA DOS PAPÉIS-232: NOTAS ESPORTIVAS - 22

CRONICA ESPORTVA

C. E. FERROVIARIO DOURADENSE
VS.
  A. A. MOCOEMBÚ
 
Não obstante o mau tempo reinante, grande foi o numero de espectadores que compareceu ao "Parque São Pedro", domingo passado. Todos estavam anciosos para ver o grande embate apezar de quasi todos os prognósticos serem pessimistas. Quasi que ninguém acreditava na vitória do "FERROVIARIO", pois este entrou em campo bastante desfalcado. Foram reintegrados alguns elementos da turma secundaria mas elementos de valor que estiveram a altura de representar muito bem as cores ferroviárias.
***
Quatro a Zero!
Contagem bem expressiva que mostra com evidencia o esforço empregado pelos nossos "players".
***
Precisamente às 17,30 o jogo era iniciado sob as ordens do sr. HENRIQUE HUBEL.
Nos primeiros minutos houve um certo equilíbrio de forças notando-se belos lances de ambos os lados. A pelota corria por todo o campo. Os jogadores empenham-se entusiasticamente para abertura da contagem da tarde. Aos vinte e cinco minutos de jogo registra-se uma falta próximo à meta dos visitantes que batida com maestria, por MELÃO, resulta o primeiro tento da tarde, sob verdadeiro delírio da assistência. Dão a saída os visitantes, que logo ao sair perdem a pelota para os locais que organisam um perigoso ataque. E assim dois minutos após ter sido conquistado o primeiro tento, CUNHA em lindo estilo faz estremecer a rede dos visitantes assinalando o segundo tento da tarde. Nova saída é dada pelos visitantes, que procuram atingir a rede de JOSÉ, mas não o conseguem, visto este intervir com precisão. E deste modo, após mais umas jogadas, nas quais LOZANO conseguiu um tento que foi anulado, termina a primeira fase do prélio acusando o "placard" a contagem de 2 X 0 favorável aos locais. 
A chuva começa a cair, mais nem por isso os espectadores se ausentam do campo.
De guarda chuva ficam todos aguardando o restante da pugna.
Após o descanso regulamentar, o jogo é reiniciado.
Os visitantes não desanimam; procuram também abrir contagem favorável à suas cores, aos mesmo tempo que os locais se esforçam para aumentar o "scóre". Decorrido quinze minutos de jogo, LOZANO recebendo um ótimo passe da ala direita marca o terceiro ponto da tarde. A assistência delira de entusiasmo. Poucos minutos mais tarde NITO marca o quarto e ultimo tento da tarde. E assim após algumas jogadas termina o grande encontro com a contagem de 4 X 0 favorável aos locais. 
O juiz sr. HENRIQUE HUBEL atuou com imparcialidade.
Na turma local não há elementos a se destacar. Todos jogaram muito bem.
A turma visitante embora vencida, portou se dignamente com uma disciplina , modelo em campo.
O "FERROVIARIO" apresentou se assim organisado:
JOSÉ
FATORE - SASSO
MELÃO - BLUNDI - ARTUR
NITO - BALDI - CUNHA - BENJAMIM - LOZANO
***
Ao sair os nossos distintos visitantes nos deixaram os seguintes agradecimentos que por certo ficarão inesquecíveis em nosso intimo:
" A Diretoria da ASSOCIAÇÃO ATLÉTICA MOCOEMBÚ, tem a súbita honra de deixar nestas simples linhas, o seu agradecimento à distinta Diretoria do ESPORTE CLUBE FERROVIARIO desta cidade de DOURADO, ainda, este agradecimento, estende-se ao Juiz da pugna que muito contribui para o desenvolver da mesma.
A caravana, deixa a cidade de DOURADO enciumada pela sua distinta e agradável torcessão.
DOURADO, 8/11/931 
a) Rego Antônio Rosseto
b) Angelo Ricardo (capitão do quadro)
c) Mario Zezza (treinador)"
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Jornal "A UNIÃO" - NUMERO 6 - ANO I - 14 DE NOVEMBRO DE 1931
***
 
No Programa:
Na coluna da esquerda:  8 de Novembro ??? É este o dia que o C.E.F.D. escolheu para bater-se, em partida amistosa, com um dos mais fortes quadros da redondesa. É elle da A.A.MOCOEMBÚ, de Dous Córregos, que já há longos annos, vem desfructando de uma invejável fama entre os campeões do interior. O FERROVIARIO terá em sua frente um conjuncto respeitável, que tudo fará para manter sempre inalterável tão significativo conceito. Também o FERROVIARIO saberá mostra-se um adversário digno por todos os modos. E o que veremos resultar de tudo isto? Uma excellente e empolgante tarde esportiva. Não percam, portanto, esta occasião que não é muito frequente nesta cidade.
Na coluna da direita: 8 de Novembro!!! Os "habitueés"do sumptuoso PARQUE S. PEDRO, terão somente que bem dizer desta elegante e festiva tarde esportiva. Perderão esta opportunidade somente aquelles que não sabem apreciar o que é bom. A BANDA MUSICAL, sob a regência do maestro JOÃO ZANETTI, emprestará seu brilhante e valioso concurso a esta memorável e encantadora diversão. O C.E.F.DOURADENSE annuncia para o próximo de dia 22 outro encontro de real interesse: defrontar-se-á com o pujante quadro da ASSOCIAÇÃO PALESTRA ITALIA de Araraquara, em disputa da rica taça "TANNURI". Para o dia 29 annuncia-se também, outro jogo de igual valor.
 
ARQUIVO: CASA DOS PAPÉIS/FAMILIA GAUDENCIO DEL CIEL/RUDYNEI FATTORE.
 

sábado, 25 de janeiro de 2020

CASA DOS PAPÉIS-231: CADA BANCO UMA HISTÓRIA - 07


BRAULIO MODESTO DE ABREU

Sertões outrora incultos, ermos e cobertos de matas virgens, foi berço pioneiro de um homem valente, arrojado; consta na vida do agricultor BRAULIO MODESTO DE ABREU, que formou a Fazenda Santa Carolina, fazendo cultivo de plantações e invernadas que despontaram como raios do sol neste chão douradense.
Descendente de portugueses era filho de JOSÉ MODESTO DE ABREU e BRAULIA DE ARRUDA LEME.
Casou-se com CAROLINA DE ABREU PORTELA (1ª núpcias) e tiveram dez filhos: BRAULIA, MARIA, HAYDEÉ, DIRCE, PATROCINIA, JOÃO, ARLINDO, GUMERCINDO, BENEDICTO e SEBASTIÃO. Em 2ª núpcias com BALBINA DE A. PORTELA.
Esses filhos lhe deram trinta e um netos, mais de sessenta e cinco bisnetos e inúmeros tataranetos.
A esta descendência tão numerosa deixou um exemplo de muito amor pela sua família e pela sua terra natal.
Ele plantou braçadas de entusiasmo, determinação, espirito desbravador e crença na terra e no amanhã.
Há um proverbio indiano que diz: " O que se faz num dia é a semente de felicidade para o dia seguinte. Hoje plantamos, amanhã colhemos de acordo com o plantio. Semente jogada na terra hoje, garantia de felicidade amanhã".
Por isso BRAULIO MODESTO DE ABREU, se empenhou na terra fértil de DOURADO na tentativa de ser o café na época, o "OURO VERDE" do Brasil uma riqueza duradoura.
Nasceu em 03 de junho de 1872 - Faleceu em 24 de junho de 1969.
É muito gratificante quando seus antepassados douradenses são memorizados pelo jornal da cidade.
Família de BRAULIO MODESTO DE ABREU.
 
Jornal "O DOURADO"-Nº211-ANO 11-10 DE MAIO DE 2007-RUDYNEI FATTORE
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CORREIO PAULISTANO-Nº17.889-PAG.4-DE 12 DE MAIO DE 1913
TELEGRAMMAS - INTERIOR
MACHINA DE BENEFICIAR CAFÉ
DOURADO, 11 - Foi inaugurado hontem na fazenda do sr. BRAULIO MODESTO DE ABREU, uma machina "Amaral", typo 1, para o beneficio de café.
A machina foi fornecida pelos fabricantes srs. Martins & Barros dessa capital, e a força motora, que é a electrecidade, fornecida pela COMPANHIA FORÇA E LUZ DE BROTAS.
Ao acto compareceu grande numero de convidados, notando-se muitos fazendeiros vizinhos e muitas pessoas gradas desta cidade.
A' uma hora foi ligado o motor electrico que acciona a machina, não se fazendo demorar o apparecimento do café beneficiado com uma perfeição que revela a boa qualidade daquella machina.
Depois de uma hora de trabalho, foi interrompido o funccionamento da machina e no vasto salão, onde ella se acha installada, foi offerecido aos convidados uma lauta mesa de doces regada de excellentes vinhos finos.
\o sr. BRAULIO e sua exma. esposa foram proligos  em obséquios aos seus convidados, sendo muito felicitados por motivo  daquelle melhoramento na sua fazenda. 
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Decreto Nº551, de 05 de Março de 1986, a Rua "4" do Loteamento Jardim Primavera (área da antiga Chácara Coloninha), passa a denominar-se "RUA BRÁULIO MODESTO DE ABREU"

 

Sentados: BRAULIO MODESTO DE ABREU (LICO) e d. BALBINA P. ABREU
 Em pé: SEBASTIÃO MODESTO DE ABREU e BENEDICTO MODESTO DE ABREU
 
 
FONTE: BNDIGITAL - CORREIO PAULISTANO
ARQUIVO: CASA DOS PAPÉIS-FOTO/SERGIO L. DE ALMEIDA

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

CASA DOS PAPÉIS-230: JOÃO JACOB KLAIN - IV


LEMBRANÇAS DE UMA PESCARIA
 
Aconteceu em 16 de novembro
Isto foi depois da eleição
Tínhamos tratado uma pescaria
O dia era lindo e bão
Tinha companheiro de Dourado
De São Carlos e Ribeirão
Tinha o Chico de São Paulo
Em companhia do irmão
Prá leva essa comitiva
Lá foi duas condução
 
Regulava duas horas
Quando chegamos no lugá
Lá esparramô essa turma toda
Uns pra cá outros pra lá
Alguns foi pesca traíra
Outros as piavas foram tentá
Porém tinha hora marcada
Pra no ponto se encontrá
Isso foi a tarde toda
Até a noite chegá
 
Quando a noite chegô
Ouvi um barulho esquisito
Era conversa que não parava
Só quem falava era o Chico
Também ele tava preparado
De engenhoca ele tinha um litro
Não tardou ele deu alarme
"Vamô embora Benedito
Não posso mais aguentá
A tentação do mosquito"
 
Por aquela escuridão
Nós saimo rasgando mato
Isso foi a pura verdade
Não é mentira foi fato
Quando cheguemo no ponto
É que nóis fiquemo chato
Pois lá só encontramo o jipe
Da perua só tinha o rasto
Se fossemo atacado por uma fera
Dos dez treis tava escápo.
 
Naquela hora é que notei
Que o Chico é um cabroco largado
Pra ele tudo serve
Não come nada enrolado
Ele usa uma bota chique
E do cano sanfonado
O seu chapéu panamá
Do bico todo enrolado
Na cintura ele carrega
Um garruchão dependurado
 
Dito e Chico ficaram
Sentado os dois num cepo
Eu co meu facão na cinta
E peguei um farolete
Sai rasgando a quiçassa
Pulando cipó e graveto
Pensava "se encontrá a onça
O negócio fica preto"
Fui encontrá os companheiro
Na lagoa do Pau Seco
 
Na chegada foi o Ferreira
O primeiro que encontrei
Já contando a vantage
Da pescaria que feis
Inda rastou mais um bagaço
Que sozinho pesca por seis
Sabendo que ele é bravo
Fingi que acreditei
Perguntei da sua nação
"Sô filho de Portugueis"
 
Eram dez pescadores
Nome todo vô citá
Tava o Klain, Jacob Seisdedos
e seus filho Vardemá
Nessa bagunça também tava
O amigo Zé Leal
Tava o Dito e tava o Chico
Dois irmãos Gales também tá
Tá o Lucato, tá o Ferreira
Aí tá os déis pode contá.

 

 
 
Autor: JOÃO JACOB KLAIN
Obra: POEMAS
Edição: Setor Cultural UFSCAR
Ano: 1.987  


terça-feira, 14 de janeiro de 2020

CASA DOS PAPÉIS-229: A UNIÃO - NUMERO 6



ONTEM E OJE
ADELINO FRANCO
 
O Dr. WASHINGTON MARCONDES FERREIRA, foi o terceiro Superintendente da Cia. DOURADO, feito, podemos dizer entre nós, assumiu o cargo em 15 de abril de 1926, debaixo dos mais justos contentamentos e essencialmente daqueles que tinham certeza de que s.s. os arrancaria do ostracismo, onde haviam sido lançados como condênados ferroviários, trazendo-os para o seio da família ferroviária da qual foram desmembrados com ou sem justiça, deixando os ao critério competente para continuarem a trabalhar com o mesmo amor e com a mesma dedicação. E graças à Deus, isso não falhou, e a descriminação não tardou para aqueles que a merecia, porque s.s. como sempre discernente, procurou conhecer os motivos legítimos não deixando levar-se por farças e duvidosas acusações que pudessem dar logar, a punição merecida. De todo o beneficio havemos de ve-lo recompensado e não muito longe
***
Vamos agora referirmos nos aos seus feitos:
Não sejamos inconscientes. Assim como um homem depois de assegurado o futuro da sua família não deve procurar quem o elimine da terra, reconheçamos , pois, que as empresas feitos os seus seguros contra o fogo, têm de prepararem os seus aparelhos e as suas instalações  para salvarem os seus maquinismos e prédios da ruina quando ameaçados por incêndio. Ademais, capacitemos de que toda e qualquer instituição tem os seus regulamentos e leis aprovados pelos competentes governos para garantir os seus direitos e para punir os transgressores. Comtudo não faltaram abusos que levaram tantos segurados a prisão! E si não fora isso, quantas e quantas indenisações injustas e fraudulentas não fariam asa companhias de seguros rumarem-se à falência?
E foi assim que s.s. deixou o aparelho w e suas respectivas instalações preparados para serem utilisados quando necessários para o salvamento dos maquinismos e prédios das oficinas.
***
Cada classe de acôrdo com sua catêgoria tem o seu meio social e acolhimento. E nós que somos da média, não podemos julgar que a diretoria da estrada onde trabalhamos possa viajar num compartimento comum, e foi porisso, que s.s. deu lhe o justo valor mandando construir um carro para o uso da Administração.
***
Devemos compreender que os descarrilamentos de locomotivas e veículos não ocorrem somente durante o dia enquanto existe a luz do sol. Numa estrada que os seus trens circulam também à noite com o mesmo desembaraço, foi que s.s. determinou a construção de um vagão de socorro com um magnifico farol, com todos os precisos acessórios e instalação de um aparelho telegráfico.
E do ótimo resultado deste feito já tivemos oportunidade de conhece-lo. Cremos não haver duvidas! E si dizemos tudo isto é porque desejamos que todos os colegas compreendam o valor administrativo de um homem e não nos julguem o reduzido numero de pessimistas quase obliterado, que somos bajuladores, visto que podemos assegurar-lhes que não o somos. Esclareceremos - lhes que os nossos chefes pelo seu trabalho com toda sinceridade e não com disfarces, aleivosia ou hipocrisia, porque ainda, não somos mistificadores de politica e negócios, ou falsários de relação.
***
As maquinas que se fazem necessárias numa estrada de ferro podiam ser dispensadas, até quando? Assim, e para que nem sempre a boa visinha da Cia. DOURADO fosse incomodada, s.s. deixou-as montadas nas oficinas habilitando-as de meios para que todos os serviços referentes ao ramo, com rara exceção, pudessem ser executados pelos seus hábeis mecânicos que com elas manejam. Não veremos por ventura seguimento de processo? Não sabemos ainda por ventura que toda indústria para auferir lucro precisa ser organisada e que essa organisação custa dinheiro e requer espirito administrativo, uma direção autorisada? Claro que sim!...
***
A secção de estatística de sua organisação tem apresentado o verdadeiro fim de sua creação e da sua utilidade; é por ela que chega-se a conhecer todo e qualquer movimentos referentes aos quilômetros e pessos mortos dos veículos.
O seu esforço para reformar a disciplina que tem sido debatida desde o principio da estrada, foi sem duvida de grande proveito para a classe ferroviária. Porisso, prezados colegas saibamos cultiva-la para que ela não extravie e torne cada vez mais perfeita entre nós para o engrandecimento dos nossos dirigentes e do real valor que temos.
Outros melhoramentos foram feitos e projetados por s.s. referente à Via Permanente com auxilio do Dr. NIUTON UZEDA competente engenheiro então Chefe da Lina.
Bastante empenho s.s. fez para que o salario da classe fosse melhorado, conseguindo beneficial-a  dentro do possível.
***
Para que todos recordem, transcrevemos a despedida que s.s. apresentou quando em 31 de Dezembro de 1928 deixava-nos:
"Cumpre-me comunicar-vos que nesta data deixo os cargos de Superintendencia e Chefe de Locomoção que vinha exercendo desde 15 de Abril de 1926, e retiro-me dos serviços da mesma, de accordo com a solicitação que fiz à Directoria.
Outrosim que, pela Directoria foi nomeado para substituir-me nos cargos referidos, o Dr. WALDERICO C. VERAS.
É do meu dever, e o faço com a máxima satisfação, de deixar nesta, consignado o meu profundo reconhecimento e agradecimento a todo pessoal, pelo modo que se conduziu durante a minha administração. na cooperação directa, para que a mesma fosse de paz e de esforços máximos em prol do bom serviço e do bom nome e interesse da COMPANHIA.
Quando em 15 de Abril de 1926, tomei o compromisso perante a Directoria de dirigir esta ESTRADA, conhecia já quão árduo seria o trabalho, porem de antemão conhecia também o quanto seria o mesmo amenizado, porque contava com a dedicação e esforços de todos para conseguirmos um fim comum.
A todos hypotheco a minha gratidão, com os votos de todas as prosperidades e felicidades.
Com meu abraço de despedida, a cada um, o meu agradecimento e o meu 
                                                                                                                            Adeus".
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Foi nesta data que s.s. ofereceu um magnifico banquete em confirmação da estima que devotava aos ferroviarios da DOURADO, sem distinção de classe , dispensando a sua atenção a todos aqueles que lamentavam a separação e sempre eram animados, porque, ele sabia que para o seu logar viria um homem de rígida administração, enquanto os companheiros de labuta da Cia. Paulista recebiam um chefe de energia férrea, empreendedor e distinto.
Desta fórma, foi que a 31 de Dezembro de 1928, foi sucedido pelo Dr.WALDERICO C. VERAS.
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C I R O P O L I S
Um pugilo de colegas ferroviários da douradense, vem com o mais decidido empenho, trabalhando para que seja prestada significativa homenagem à memoria do ilustre paulista CIRO MARCONDES DE REZENDE, que a morte colheu impiedosa já vai longe.
Porisso servindo-se da colunas deste órgão, que é o nosso porta-voz, têm focalisado com brilhantismo sem igual as suas aspirações, tecendo em torno daquela figura idealista que jamais havemos de nos esquecer, os mais significativos comentários extravasados de sinceridade, de amor e de saudades.
Essa campanha que assume no momento vulto notável, carece entretanto de estudos.
Estudos da parte operosa diretoria da ESTRADA que sempre foi e é acessível aos grandes empreendimentos e de parte dos que lutam com destemor  pela concretisação do desiderato.
TRABIJÚ é a estação à que todas as vistas estãp voltadas, no objetivo de ser mudado o seu nome oara o de "CIRO RESÊNDE". De fato é a que mais se adequa. Foi em TRABIJÚ que o "velho" mais viveuos seus dias num trabalho intenso, construtor e sibretudo cheio de esplendores, procurando aqui e ali numa brecha para melhora-la, e arquiteteando planos que os seus sucessores vêm agora realisando com inteligência.
TRABIJÚ é o centro da ESTRADA. Em tempos não longínquos dado o seu atual desenvolvimento será por força das circunstancias uma cidade, um centro de cultura industrial, agrícola, comercial e intelectual. O seu povo nos últimos anos tem trabalhado com afinco pelo seu progresso e caracterisa esta asserção  os novos prédios ali construídos e sobretudo a igreja. A igreja sim é o que mlhore realisaram. O templo é sempre o marco inicial de uma cidade e jamais se viu uma vila em começo sem a Casa de Deus. Deus está em toda parte. Mas mesmo assim os seus ensinamentos devem ser espargidos onde as massas são densas. A igreja é tudo. Os trabijuenses já a tem. Agora os ferroviários querem consagrar a memória daquele que deu esse nome a estação ao sopé da serra da Babilonia. Querem que TRABIJÚ seja chamado CIRO RESENDE. Estou com meus colegas nesse formoso ideal. Estou porem pela troca mais sonante e significativa. Ao em vez de TRABIJÚ - CIROPOLIS. Cidade do CIRO. E mais tarde. Os homens geração moderna que fôr aparecendo no cenário da vida terrena  ao deparar a cidade de CIROPOLIS, buscando no seu panorama que recorda os das cidades serranas da Suissa, algo de bélo e intuitivo, para os seus estudos etnológicos, perguntarão aos velhos que foi o seu fundador. Estes dirão com toda pujança de suas forças: foi CIRO RESENDE.
CIROPOLIS ! Representais no seu todo a vibração da voz que vem se erguendo em toda a DOURADENSE no empenho inamovível de render ao super-homem fundador da C.D. o maior preito de veneração gratíssima.
M. REZENDE
(Chefe da estação de Java)  
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MOVIMENTO DA ESTRADA
TRAFEGO
CAFÉ
Durante o mês de outubro a CIA. DOURADO recebeu em suas estações:
59.916 sacos de café a Santos (seriados)
4.409 sacos de café a outros destinos (não seriados)
64.325 = Total
Dias uteis 26. Média diária 2.474,03
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 CLUBE UNIÃO OPERARIO
Em DOURADO, terá logar oje, nos confortáveis salões do "CLUBE UNIÃO OPERARIO", um magnifico sarau dansante promovido pela sua distinta e esforçada diretoria da qual fazem parte os nossos colegas, srs. LEONARDO RUSSO e ARISTIDES RIBEIRO.
Pelo atencioso convite com que nos distinguiram, somos gratos.
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LITERARIAS
FINADOS
Entrei naquele vasto campo santo! Por todos os lados, via-se soluços e lagrimas. A abobada celeste estava toda imersa em nuvens negras e chovia lentamente. Parecia que a própria natureza naquele aspecto tão tristonho,  participava da mesma dor, da mesma agonia da humanidade.
Caminhei passo a passo procurando entre os demais túmulos, o de meu Pae saudoso; finalmente o encontro... Por muito tempo estive a mira-lo e mentalmente fiz elevar-se ao Altíssimo uma prece fervorosa em dedicação àquela alma bondosa.
Depois fui visitar outros jazigos, onde estavam pessoas orando com muita devoção. Consolei-me assistindo  aquele impressionante espetáculo onde reinava a igualdade...
Novembro - 931 - OMC
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A UNIÃO-NUMERO 6-ANO I-14 DE NOVEMBRO DE 1931
ARQUIVO: CASA DOS PAPÉIS

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

CASA DOS PAPÉIS-228: MARIA JOSÉ RIBEIRO DOS SANTOS SANDOVAL (D.ZÉZA) - 2


O QUE AMO
Adoro o céu na escura noite a brilhar
E eu admiro as estrelas o ouro a cintilar!...
E a lua suave, essa eterna adolescente
Entre veste de nuvens, etérea transparente
De rosto pálido e tão meigo olhar;
Tem pra mim o encanto, vivo original
De um anjo puro, divino sem igual
Iluminando as trevas do campo
Os arvoredos rendilhando, o luar!...

E o sol, amo eu suas sendas de luzes
Fertilizando a terra e as inclinar a fonte,
Quando derrama, sobre ela sublimes messes
Que vibram por seu manto de glória
Colorindo de jóias e pelo fulgor da fimbria
Doirada que barra o horizonte atrasado,
E arremata, aquela beleza toda do poente.

A tarde adoro, silenciosa amena...
Que se esvai num tristonho adeus
Vendo-a partir quais os sonhos meus
Por esse escrínio do infinito roxo
Deixando essa saudade que sozinha
Curto e em mim se aninha
Qual dentro do peito, o piar do moxo...

E a terra amo de forma diferente
 Humana, divina, como a mãe da gente
Eterno manancial, fonte generosa
Que ao vencer dos cascalhos a dureza
Deixa correr a lágrima, como do rio a água
Que sacia a sede e abranda a mágoa.

E no mar encontro lindas reações, as quais
A sonhar, somente no céu sinto-as iguais...
Como criança e ainda aquele homem
Atira, salta, roda, brinca de pega-pega
E como se a fugir da cabra cega
Suas ondas correm e escondendo fogem...
Depois, calmo em seu leito, sobre as águas
Ao fitar o infinito e as estrelas do céu
Em sua ânsia de ternura cheia
Sonha, tece coroa, ondula véu
E a virgem praia, a branca areia
A nudez de seu corpo, belo amado,
Recobre com a pompa d'um noivado.

E amando, assim, a natureza toda
A serra, o vale, o campo, as flores
Onde as borboletas exibem suas cores
E atrasada flor, da trepadeira de São João
Alastram todas quais fogueiras pelo chão.

Adoro, aquele abrigo pequenino na ramada
O ninho enfeitado, sobre pérolas, a ave
Depois, o sussurro dos filhotes acamados
Essas ternuras todas de quem vivo enamorada
Vibrando em meu olhar, através da luz
Que vive por toda a parte e pelo mundo espalhada.

E admiro no homem, a moral, a inteligência
Por onde revela o amor, a arte, a ciência
A música, que me leva ao sublime
Que a planger no coração toca,
Exprime sentimentos vários, tão cheios de expressão.

Amo a vida pela oportunidade que oferece
Se conhecer no mundo o que me enternece
Ao ver, sentir, ouvir o que emocionada
Leva à compreensão das maravilhas criadas
Através do infinito amor, que a nós estendem
As mãos ocultas que me definem por Deus.


 

 
D.MARIA JOSÉ RIBEIRO DOS SANTOS SANDOVAL-D.ZÈZA.
LIVRO: O QUE EU AMO
ANO: 2009
IDEALIZADOR: SIDONIO JOSÉ DOS SANTOS
PETRY GRAFICA E EDITORA LTDA

 
 FAMILIA - Da E/D: Zéza, Sylvia, Heloisa, Sidonio, D.Braulia Abreu dos Santos, Sr. João Ribeiro dos Santos, Dalila, Rubens, Carolina, Bráulio e Laura.

ARQUIVO: CASA DOS PAPÉIS